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Capela da Nossa Senhora da Natividade do Castelinho |
Castelinho de peregrinação, de romaria e de fé, imortalizado pelo povo em cada dia a mais. Isolado o alto de Avessadas, o Castelinho é afinal lugar de diminuto povoamento e agreste paisagem. Diz que a designação de Castelinho tem a ver com a posição da ermida, numa larga esplanada, em declive, que mais de assemelha a um pequeno castelo. A sua actual imagem é produto de uma reconstrução de 1877, com um extenso adro, repleto de árvores, é um local extraordinário delicioso, tanto mais que daqui se avista um variadíssimo e imponente cenário: a majestosa serra do Marão, lá ao longe, a da Aboboreira, o alto do Crasto, a vertente imensa deste e outros montes de Penafiel descendo calmamente sobre o Tâmega. |
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Todos os anos, em 8 de Setembro, o Castelinho é visitado por milhares de pessoas, que procuram com a sua presença homenagear a Senhora da Natividade. Foi muito advogada a ideia de tornar feriado o dia 8 de Setembro. Em 1946 é consagrado o concelho a Nossa Senhora do Castelinho e em 8-9-1947 renovou-se com a devida solenidade, a consagração do concelho a Nossa Senhora, e, de então para cá, tal cerimónia repete-se anualmente. É no Castelinho que aparecem as primeiras melancias e por onde se conhece o estado do ano agrícola, consoante apareça ou não o primeiro vinho novo. É pelo Castelinho que terminam as merendas, diz o povo, para determinar a transição para o Outono. |
Penedo do carmal |
Também aqui se realizavam Touradas, ou melhor dizendo, as touradas do Castelinho. Touradas já mortas...
Se morreu o Castelinho das velhas touradas, ficou o Castelinho da tradição. Tradição de romaria sem par, no Marco e cercanias. Tradição de oferta de sal à Senhora; de novenas; de joelhos sangrantes ao redor do templo ou atrás do andor. Tradição de clamores, procissões, peregrinações.
Castelinho de tradição ainda: de anho e arroz no forno; de merendeiros nas imediações do arraial; da melancia à cabeça; do vinho novo na caneca de porcelana branca.
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Penedo da aparição |
A aparição da Nossa Senhora, segundo a lenda Com uma
concavidade para o corpo, talho para os ombros e Há pinheiros no local, mas no sítio onde estava Nossa Senhora, ele não ganha musgo nem qualquer resíduo ou folha se lá deposita.
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Há mais de sessenta anos atrás, no lugar do Chelo, no penedo que servira de abrigo à Sr.ª do Castelinho, todos os Domingos, uma alma crente ia adorar o sítio dos pés da Virgem.
Dentro do campo das lendas e tradições, muito haveria que contar referente ao Castelinho... Ficam apenas menção das mais correntes, em breve resumo:
Lenda da Árvore da Senhora
De arbusto se trata.
Mede cerca de 4 ou 5 metros e localiza-se atrás da ermida. A sua folha é miudinha, como é peculiar nas espécies vegetais adaptadas a terrenos áridos.
Entre a gente das cercanias é crença, é ponto de fé que quem tocar nessa árvore sem lhe tirar qualquer porção e formular um desejo, esse desejo será satisfeito.
Lenda do corpo intacto
Também não falta a filosofia popular a encontrar no sobrenatural a explicação para coisas de ordem puramente geológica.
O pavimento da capela é de pedra.
o soalho que recobria o chão apodrecera, em virtude do permanente estado de humidade em que se encontrava, em determinado ponto.
Ao proceder-se ao seu desmantelamento, sucedera que um dos operários molestara um corpo intacto que nesse preciso sítio se encontrava. Quanto a uns, terá sido o corpo dum «anjinho de cinco anos», enquanto para outros ele era mesmo o de Nossa Senhora.
Traumatizado com tão chocante acontecimento, o funcionário morreu volvidos menos de oito dias.
Diz-se que isto sucedeu por volta dos anos 20. Muitas pessoas se lembram ainda do soalho da capela.
Lenda da Capela
Segundo a tradição, a ermida outrora era voltada para as bandas do norte. porém, Nossa Senhora parece que não se sentia lá bem, porque por três vezes fugira dali para se instalar no penedo das aparições, onde fazia meia. Diz a voz do povo que se fazia acompanhar sempre do cestinho da meia e era encontrada a tricotar, com seu Filho ao lado.
Depois que a porta principal da Sua capela passou a ser bafejada pelos ventos do Ocaso, jamais se repetiu o episódio...
Enfim, um mundo de coisas que os cantares das novenas levam aos quatro ventos, em mil louvores à Natividade de Nossa Senhora. Típicos e belamente cantados a duas vozes: a d' «o alto» mais aguda e a prolongar-se mais no tempo e no espaço.
Eis alguns veros - cantigas que as moças das novenas usam cantar, a caminho do Santuário, ou andando em redor dele, como da letra se infere:
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Senhora do Castelinho, Nós cá 'stamos a chegar. Deite-nos a Sua bênção De cima do seu altar.
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Senhora do Castelinho, Minha Mãe, minha madrinha. Eu venho a Vossa casa Também Vós vinde à minha.
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Senhora do Castelinho, É madrinha do meu bem. Eu também sou afilhada Dum Menino qu' Ela tem.
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Senhora do Castelinho, Que grande milagre fizestes. A quem era tão doente Tanta saúde destes.
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Senhora do Castelinho, Seu caminho pedras tem. Se não fora um milagre Já cá não vinha ninguém.
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Senhora do Castelinho, Tem um manto que reluz. quem lhe deram os anjinhos No dia de Santa Cruz.
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Senhora do Castelinho, Dê-me a mão na costeirinha. Qu'eu sou rapariga nova E já venho cansadinha.
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Senhora do Castelinho, Seu caminho tem pedrinhas. Se não fora um milagre Já cá não vinh'o meninas
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Senhora do Castelinho, Nós cá'stamos a chegar. Deite-nos a Sua bênção Ao sair e ao entrar.
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Senhora do Castelinho, Lá em cima corre vento. S'a Senhora tem dinheiro. Mande fazer um convento.
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Senhora do Castelinho, Tem um filho serrador. Para serrar a madeira par'o altar do Senhor. |
Senhora do Castelinho, Tem uma fita no pé. Que Lhe deram os anjinhos No dia de S. José. |
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Senhora do Castelinho, Tem uma fita na testa. Que Lhe deram os anjinhos, no dia da Sua festa.
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Senhora do Castelinho, Descalcinha no terreiro, Tome lá um sapatinho Que lhe mand'ó sapateiro
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Senhora do Castelinho, Ao redor de Vós andei. Tantos anjos m'acompanhe, Como de voltas eu dei.
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Senhora do Castelinho, Que tem um galo no seu sino. Quando toca à mei-noite, acorda o verbo divino. |
Senhora do Castelinho, Eu pr'ó ano lá hei-de ir. Ou casada, ou solteira, Ou mocinha de servir. |
Senhora do Castelinho, Nós cá vamos embora. Deite-nos a sua bênção Ao sair da porta fora. |