Padroeiro: S. Martinho (11 de Novembro)

Eucaristia: Domingos - 10:00h

Catequese: Sábado (tarde) e Domingo (manhã)

 

Os primeiros testemunhos escritos sobre São Martinho de Avessadas datam de meados do século XIII. Em 1255, é citada a "ecclesia de avezadas", em documento do Mosteiro de Alpendorada, e nas inquirições de 1258 a paróquia de "Sancti Martjnj de auessadis".

Igreja Matriz

O topónimo da freguesia, que ocorre seis vezes em todo o país, vem do latim adversãta: " a que se opõe a, a que está em posição contrária".

 

 

A vida de S. Martinho

 

“Pelo S. Martinho prova o vinho!” Temos ouvido este conselho tanta vez que nos chegou a vontade de transmitir, um pouco da grande vida que foi, a deste santo que manda empunhar a caneca e, se o vinho for bom, não se importa que demos três estalos com a língua!

Santos desses é que nós precisamos, pois o mundo vai cheio de tristezas que, além de não pagarem dívidas, tornam as pessoas zangadas, amarguradas e, se calhar, até põem fora do juízo.

S. Martinho não quer isso e, na sua festa, quer que entremos, pela calada ou em multidão, na fresca adega e provemos o fruto da videira para ficarmos alegres com os amigos, mas sem ser de mais! Demos graças a Deus por termos, como padroeiro, um santo assim, tão nosso amigo que até abençoa o tonel.

 

Eis a sua vida:

 

 

 

S.  Martinho, um homem ComVida

 

Narrador1: S. Martinho nasceu na Hungria, numa cidadezinha chamada Sabária, já lá vão quase mil e seiscentos anos. O pai era um valente cabo-de-guerra ao serviço dos Romanos e ele mesmo era romano. Pôs ao filho o nome de Martinho, que tem parecenças com Marte que era o deus da guerra; fazia tudo para que o seu filho viesse a ser um bom guerreiro.

                

                Martinho era ainda um mocito quando o imperador, lá de Roma, mandou que seu pai se transferisse da Hungria para Paiva, que fica na Itália. Um dia andava Martinho a jogar o pião com os amigos na ruazinha quando, a súbitas, estalou um trovão medonho. Aterrado, Martinho enfia no bolso o pião e a baraça e corre por abrigo para a casa mais próxima.

                    Enfiou por ali dentro com o coração aos pulos e, mal deu por si, viu que estava dentro duma Igreja. Não havia dúvida. Lá estava nada menos que o bispo a pregar do altar para baixo a um grupo de gente. Devia ser boa pessoa. Mal viu o rapazito aflito disse-lhe assim:

 

Bispo:       Anda cá, meu menino, há aqui um banquinho que até parece feito para ti, senta-te e escuta.

 

Narrador2: Martinho adiantou-se todo contente, sentou-se, e agora o vereis a ouvir as histórias admiráveis que o bispo ia contando.

                 Falava ele da vida de Jesus e dos Apóstolos.

                 No fim da pregação o bispo voltou-se para ele e disse-lhe:

 

Bispo:       Se continuas a vir às nossas reuniões também um dia te podes fazer cristão.

 

Narrador1:  Ao ouvir tal coisa Martinho ficou todo contente e começou a ir á Igreja todos os dias. Ele e os amigos puseram de lado os velhos jogos e pegaram a representar cenas das vidas dos santos.

 

                 Anos vividos, quinze tinha já Martinho, o pai sela um bom cavalo, monta nele, dá de esporas e abala para o palácio do imperador. Chega, ajoelha e rompe desta maneira:

 

Pai:          O meu filho acaba de fazer quinze anos, mas está um homenzarrão alto como uma torre, e o que eu mais quero e desejo é que ele entre no serviço de Vossa Majestade e sirva no exército.

 

Narrador2: O imperador fez bom rosto a tais palavras.

                 Deram um cavalo a Martinho, um capotão a modo de sargento do exército, uma espada e ordem de abalar para França. Ia contrariado porque ainda não terminara o curso catequético e não era ainda baptizado. Mas ordens eram ordens e tinha que obedecer ao imperador. E foi com tristeza que se foi despedir do bispo, e lá vamos para França.

                

Entrava ele às portas da cidade de Amiens e eis que vê um pobrezinho sentado na berma da estrada. Combriam-no uns farrapos friorentos e todo ele tremia de frio. Quando viu Martinho estendeu a mão a uma esmolinha. Martinho teve muita pena do pobrezinho. Meteu as mãos pelos bolsos e só tirou cotão. Nem uma moeda. Então tirou a sua capa, sacou a espada e rasgou-a em duas metades de alto a baixo. Embrulhou o pobrezinho numa das metades e a outra pô-la pelos ombros e, antes de o pobre ter tempo para agradecer, com passo lesto de militar enfiou pela cidade dentro. Orientou-se, meteu a uma das cabanas e como vinha cansado da jornada foi deitar-se e adormecer de caminho.

    A meio da noite acordou em sobressalto. Uma luz enchia o aposento. Jesus de pé junto do leito mostrava-lhe metade da capa, aquela metade que ele tinha dado ao pobrezinho. Mostrava-lha e dizia:

 

Jesus:       Martinho, ainda não recebestes o baptismo e já praticaste uma nobre acção por amor de Mim. Tive frio e deste-Me metade da tua capa.

 

Narrador1:  E Martinho lembrou-se de como o bispo abrindo a Bíblia se pusera a ler as palavras de Jesus:

 

Bispo:       “Tudo o que fazeis ao mais pobre dos vossos irmãos a Mim o fazeis.”

 

Narrador2: Depois a cabana escureceu-se mas ele não pôde dormir mais.

                 Vestiu-se e dirigiu-se à próxima igreja, bateu ao lado na casinha do padre e pediu para ser baptizado.

 

                 Após dois anos de militância, Martinho não quis continuar a ser soldado. Foi ter com o imperador e disse-lhe:

 

Martinho:  Se não se importa dê-me alta. Já prestei os meus serviços. Agora quero pôr-me ao serviço de Cristo.

 

Narrador1:  O imperador fez cara feia sem descortinar ao que dizia Martinho, e tentou fazer-lhe entender que o seu nome quer dizer soldado, ou melhor, guerreiro, que o seu lugar é nas trincheiras.

 

                 Martinho porém só tinha uma aspiração – queria servir a Deus e voltar para casa dos pais, anunciar-lhes Jesus para que eles também se tornassem cristãos. Até que por fim o imperador não o pôde segurar no exército. Deixou-o ir e despediu-se dele.

  Ao chegar a casa a mãe rejubilou ao vê-lo e aceitou cheia de alegria a fé cristã logo que Martinho lhe explicou tudo acerca de Jesus e da Igreja. Mas o pai de Martinho não fez caso nenhum das suas pregações, recusando-se a ouvi-lo porque ele tinha abandonado o exército do imperador. Tinha a mania das armas o bom do homem! Por isso Martinho tornou a voltar para França.

 

Foi até Poitiers onde vivia um bispo chamado Hilário, que mais tarde o ordenou diácono.

Mas não demorou por ali muito tempo, puxava-lhe a ideia para a vida solitária e afeiçoou-se a um sítio apertado chamado Ligugé. Aí construiu um pequenino mosteiro, que foi o primeiro fundado na Europa.

Todavia Martinho não viveu aí só por muito tempo. As gentes pegaram de acorrer ao mosteiro; vinham de perto e de longe à cata de conselhos e de ajuda. Mal este e aquele se achassem doentes ou atribulados lá vinham eles...

 

Um dia vieram dizer a Martinho que um leproso vivia sozinho no fundo dum balseiro longe do povoado. Foi lá vê-lo, tratou-o e pô-lo limpo e rijo tal como fora.

Outra vez vieram chama-lo para que fosse a correr a um quinta onde um trabalhador se tinha enforcado. Quando chegou, viu que o homem já tinha a cara azulada e não dava sinais de vida. Martinho fez tudo para o chamar a si. Bastas horas esteve a dar-lhe respiração, até que por fim o reanimou.

Todos os que presenciavam isto davam graças a Deus e não se continham que não dissessem:

“Deus deu-lhe poderes de fazer milagres”.

 

Ora, dias depois morreu o bispo de Tours; de boca em boca, por todo o povo começou a circular o rumor que Martinho, que fazia tantos milagres, é que iria ser o novo bispo, ou muito se enganavam.

E toca de ir ter com Ele. Martinho porém percebera esses planos e abalara para longe, para uma herdade distante, e escondera-se lá. Não queria ser bispo. O que queria era levar vida solitária para ter vida de oração em paz e sossego.

Quando o povo deu por sua falta foram á sua procura. Martinho mal os viu aproximar-se escapuliu-se para uma capoeira de galinhas, mas os frangos e as franguinhas rompera a cacarejar, a bater as asas e a esvoaçar em todas as direcções.

O povo depressa o encontrou e pediram-lhe que viesse para Tours com eles e se deixe fazer bispo. Martinho começou a ver que era isso a vontade de Deus e deixou-se ir, que havia ele de fazer!!!?

 

Já bispo, Martinho, saía da cidade para evangelizar, sobre tudo nas regiões em volta, onde havia muitos pagãos.

Um dia esse povo ao vê-lo, pôs-se logo em fuga. Um habitante da aldeia, que era como que o sacerdote, disse a Martinho:

 

Habitante:  Não fazes nada em nos vir viver. Não acreditamos no teu Deus.

 

Narrador2: Mas Martinho retorquiu:

 

Martinho:  O nosso Deus é o único Deus verdadeiro. Os vossos deuses não existem.

 

Narrador1:  O sacerdote pagão perguntou então a Martinho:

 

Habitante: Estás pronto a provar isso num desafio aos nossos deuses?

 

Narrador2: Martinho disse que sim. Levaram-no a uma clareira onde só uma árvore estava de pé.

 

Habitante: Esta é a arvore dos nossos deuses; Vamos mandá-la abaixo e tu de joelhos atado a um madeiro hás-de ficar para o lado onde ela vai cair. Se ela te esborrachar, os nossos deuses são verdadeiros e poderosos, se não te fizer mal, o teu Deus é que é o verdadeiro.

 

Narrador1:  Martinho ajoelhou e enquanto esperava pôs-se a rezar. Entretanto o sacerdote pagão pegou num machado e pôs-se a cortar o tronco da velha árvore até ela desabar. Ao cair porém a árvore deu uma volta e foi escavacar-se muito longe de Martinho. O sacerdote pagão foi junto dele e disse com toda a humildade:

 

Habitante: Neste lance o teu Deus é que saiu com a vitória.

 

Narrador2: E toda a gente do povoado se converteu à Fé.

 

                 Martinho era um poço de ensinamentos para os seus monges. Uma ocasião, jornadeando com eles, estranhou que houvesse tanta gente que conhecendo o evangelho pouco ou nada fizesse por pô-lo em prática. Nisto eis que lhes relampeja por diante um coelhinho que ia numa brasa a ver se escapava de uma matilha de cães. S. Martinho (chamemos-lhe já santo!)  atravessou-se no caminho dos podengos perseguidores e de mão alçada intimou:

 

Martinho: Alto aí!

 

Narrador1:  Imediatamente estacaram e avançaram para ele a comê-lo com os olhos. Quando s. Martinho calculou que o coelhinho já estava a muitas léguas dali, disse:

 

Martinho: Andai, ide agora à caça do coelhinho!

 

Narrador2: Virou-se depois para os monges com a boca toda num sorriso e observou:

 

Martinho: quem me dera a mim que a gente ouvisse as minhas palavras e seguisse os meus ensinamentos como acabaram de fazer estes animaizinhos.

 

Narrador1:  Um dia o imperador deu-lhe na cabeça para dar uma festa e convidou S. Martinho e os seus monges para a mesa.

                 Mas S. Martinho não queria desperdiçar tempo a comer e a beber e esteve vai não vai para declinar o convite.

                   Precisamente nesse dia, porém, sucedeu-lhe passar rente da prisão de Tours”. Nas janelas gradeadas apinhavam-se alguns presos com a barba por fazer e a pedirem chorosos que lhes desse ajuda. Eram inocentes mas o imperador metera-os no calhabouço a roce de qualquer suspeita.

                   Depois de os ouvir disse Martinho para os seus botões:

Martinho:  Pois este é o dia em que vou à festa a ver se posso fazer alguma coisa por estes mesquinhos.

 

Narrador2: Meu dito meu feito. O imperador veio à porta recebê-lo muito ancho e agradado. Mas S. Martinho desfechou-se muito decisivo:

 

Martinho:  Olhe que eu não me sento se não satisfizer um desejo que trago aqui dentro do peito.

 

Narrador1:  Olharam-se nos olhos, e S. Martinho:

 

Martinho:  Gostaria que pusesse em liberdade alguns homens inocentes que estão a ferros na prisão de Tours.

 

Narrador2: O imperador que gostava muito de S. Martinho, prometeu logo com as duas mãos atiradas para a frente, como se tivesse já a partir ferros e grilhões. Depois S. Martinho sentou-se à mesa e estendeu o guardanapo.

                

  Era costume naquele tempo que a primeira taça de bom vinho fosse dada ao convidado de honra: primeiro bebia ele e só depois é que bebia o imperador. Martinho ergueu a taça, bebeu uns golitos, levantou-se em seguida e ofereceu a taça a um dos seus monges para que bebesse.

 

  Os cortesões burburinharam porque julgavam que o imperador iria ficar fulo. Mas o imperador, que era fino, percebeu que o que Martinho queria era lembrar-lhe as palavras de Jesus: “Os que ambicionam ser sempre os primeiros na terra hão-de ser os últimos no Reino dos Céus.

  O imperador dobrou-se com o humilde ensinamento e o dia acabou sem uma nuvem, em festa desabalada.

 

 

Martinho chegou aos oitenta anos. Via que a morte não podia demorar muito. Mas trabalhava sempre para diante, curando os enfermos e indo de uma parte para a outra por toda a França a pregar o Evangelho aos pagãos.

  Foi durante uma destas jornadas apostólicas que Ele adoeceu e morreu. Foi uma grande provação para os monges e para todo o povo de França. Acorreram por milhares a prestarem os últimos obséquios ao santo que Deus chamara a Si. Os monges puseram o corpo num barco pelo rio Loire acima em direcção ao mosteiro onde o sepultaram.

  O seu sucessor, de nome Brício, ergueu mais tarde uma capela sobre o seu túmulo. Veio gente de longe e perto e começaram as peregrinações. As romagens aumentavam e dentro de pouco a sepultura do santo era um dos lugares sacros mais populares em toda a França. Mais tarde a capela foi substituída por uma lindíssima basílica. E ainda hoje muitos romeiros peregrinam ao túmulo de S. Martinho a pedir ajuda para os trabalhos da vida.

 

S. Martinho, nosso padroeiro, continua a zelar, por este teu humilde povo.