Os Sentimentos A ilhas dos Sentimentos Comer a bolachas dos outros
O convite O fogo, a água e a honra A nova casa
É Suficiente O pequeno parafuso Tens tempo?
O Supermercado do Céu A dívida O dinheiro
A Paz... Quero trabalhar  

 

 

 


 

 

 

Os Sentimentos

 

“ Contam que uma vez se reuniram todos os sentimentos e qualidades dos homens, algures na Terra. Quando o ABORRECIMENTO havia reclamado pela terceira vez, a LOUCURA, como sempre tão louca, resolveu propor:

- Vamos brincar ao Esconde-esconde?

A INTRIGA levantou logo a sobrancelha e a CURIOSIDADE sem poder se conter perguntou:

- Esconde-esconde? Como é isso?

- É um jogo – explicou a LOUCURA- em que eu fecho os  olhos e começo a contar de um até um milhão, enquanto vocês se escondem, e, quando eu tiver terminado de contar, o primeiro que eu encontrar ocupará o meu lugar para continuar o jogo.

O ENTUSIASMO dançou seguido pela EUFORIA. A ALEGRIA deu tantos saltos que acabou por convencer a DÚVIDA e até mesmo a APATIA, que nunca se interessavam por nada. Mas nem todos quiseram participar. A VERDADE preferiu não se esconder. “Para quê, se todos me encontram?”, pensou. A SOBERBA opinou que era um jogo muito tonto (no fundo o que a incomodava era que a ideia não tivesse sido dela) e a COBARDIA preferiu não se arriscar.

- Um, dois, três, quatro, ... – começou a contar a LOUCURA.

A primeira a esconder-se foi a PRESSA, que como sempre caiu atrás da primeira pedra do caminho. A FÉ subiu ao céu e a INVEJA escondeu-se atrás da sombra do TRIUNFO, que com o seu próprio esforço tinha conseguido subir na copa da árvore mais alta. A GENEROSIDADE quase não conseguia esconder-se, pois cada local que encontrava, parecia-lhe maravilhoso para algum dos seus amigos. Se era um lago

cristalino, era ideal para a BELEZA. Se era a copa de uma árvore era perfeita para a TIMIDEZ. Se era o voo duma borboleta, era o melhor para a VOLÚPTIA. Se era uma rajada de vento, era perfeito para a LIBERDADE. E assim acabou escondendo-se num raio de sol. O Egoísmo, ao contrário, encontrou uma lugar muito bom desde o início. Ventilado, cómodo, mas só para ele. A MENTIRA escondeu-se no fundo do oceano (mentira, na realidade escondeu-se atrás do arco-íris) e a PAIXÃO e o DESEJO, no centro dos vulcões. O Esquecimento, não me recordo onde se escondeu, mas isso não é o mais importante. Quando a LOUCURA estava lá para o 999 999, o AMOR ainda não havia encontrado um local para se esconder, pois todos já estavam ocupados, até que encontrou uma rosa e,

carinhosamente, meteu-se entre as suas pétalas.

- Um milhão,  terminou a LOUCURA. E começou a busca. A primeira a aparecer foi a PRESSA, apenas a três passos de uma pedra. Depois, escutou-se a FÉ, discutindo com Deus, no céu, sobre zoologia. Sentiu vibrar a PAIXÃO e o DESEJO nos vulcões. Num descuido encontrou a INVEJA e claro, pode

deduzir onde estava o TRIUNFO. O EGOÍSMO não teve que procurá-lo. Ele sozinho, saiu disparado do seu esconderijo que na verdade, era um ninho de vespas. De tanto caminhar sentiu sede e, ao aproximar-se de um lago, descobriu a BELEZA. A DÚVIDA foi mais fácil ainda, pois encontrou-a sentada sobre uma cerca, sem decidir em que lado esconder-se. E assim foi encontrando todos. O TALENTO entre

a erva fresca, a ANGÚSTIA numa cova escura, a MENTIRA atrás do arco-íris (mentira, estava no fundo do oceano) e até o ESQUECIMENTO que já havia esquecido que estava a brincar ao Esconde-esconde. Apenas o  AMOR não aparecia em nenhum lugar. A LOUCURA procurou atrás de cada árvore, em baixo de cada rocha do planeta e em cima das montanhas. Quando estava a ponto de se dar por vencida,

encontrou um roseiral. Pegou numa forquilha e começou a separar os ramos, quando, no mesmo instante, se escutou um grito doloroso. Os espinhos tinham ferido o AMOR, nos olhos. A LOUCURA não sabia o que havia de fazer para se desculpar. Chorou, rezou, implorou, pediu perdão e até prometeu ser seu guia.

Desde então, desde que, pela primeira vez se brincou ao Esconde-esconde na Terra, o AMOR é cego e a LOUCURA sempre o  acompanha...”

 

 

A Ilha dos Sentimentos

 

Aqui vai uma "pérola de sabedoria" sobre o Amor e sobre os sentimentos humanos
....

Era  uma  vez uma ilha, onde viviam todos os sentimentos: a Felicidade, a   Tristeza, a Sabedoria , o Amor....

Um dia anunciou-se aos sentimentos que a ilha se ia afundar.

Eles então prepararam os seus barcos e partiram.

Só faltava o Amor, que queria ficar até ao último momento.

Quando a ilha estava quase a desaparecer, ele decidiu pedir ajuda.

A Riqueza passou ao seu lado num barco luxuoso e o Amor perguntou-lhe:

-   "Riqueza, podes-me levar?"

-"Não, porque há imenso dinheiro no meu barco, portanto, não tenho lugar   para ti".

O Amor decidiu, então, pedir ao Orgulho, que também estava a passar num barco magnífico:

- "Orgulho, ajuda-me, peço-te!"

- "Não te posso ajudar, Amor. Estás molhado e podes estragar o meu   barco".

A Tristeza estava ao lado e o Amor pediu-lhe:

- "Tristeza, deixa-me ir contigo!"

- "Oh... Amor, estou tão triste que preciso de estar sozinha!"

A Felicidade também passou ao lado do Amor, mas estava tão feliz que nem
o ouviu chamá-la!

De repente, uma voz disse: - "Vem Amor, eu levo-te comigo".

Foi um velho que falou.

O Amor ficou tão contente, que se esqueceu de perguntar o nome ao velho.

Mal chegaram sobre terra firme, o velho foi-se embora.

O Amor realizou o quanto lhe tinha ficado a dever e perguntou à Sabedoria:

 - "Quem é que me ajudou?"

- "Foi o Tempo", respondeu a Sabedoria.

- "O Tempo?" , interrogou-se o Amor.

- "Mas porque é que ele me ajudou?"

A Sabedoria sorriu e respondeu:

-  "Porque só o Tempo é capaz de perceber o quanto o Amor é importante na vida!"

 

 

Comer as Bolachas dos outros

 

Era uma vez uma rapariga que estava à espera do seu vôo, na sala de embarque de um grande aeroporto. Como ela tinha que esperar muitas horas, resolveu comprar um livro para matar o tempo.

Comprou, também, um pacote de bolachas.

Sentou-se numa poltrona, na sala do aeroporto, para que pudesse descansar e ler em paz. Ao seu lado sentou-se um homem.

Quando ela pegou na primeira  bolacha, o homem também pegou numa. Ela sentiu-se indignada, mas não disse nada.

Apenas pensou : "Mas que descaramento! Se eu estivesse mais mal-disposta, dava-lhe um murro num olho para que ele nunca mais se esquecesse !!! "

 Mas a cada bolacha que ela pegava, o homem também pegava numa.
Aquilo deixava-a tão indignada e perplexa que nem conseguia reagir.

Quando restava apenas uma bolacha,ela pensou: "Ah, o que será queeste abusador vai fazer agora ?"

Então o homem dividiu a última bolacha ao meio, deixando a outra
metade para ela.

Arrr!!! Aquilo era demais !!! Ela estava a bufar de raiva !


Então, pegou no livro e nas suas coisas e dirigiu-se ao local de embarque.
Quando ela se sentou, confortavelmente, numa poltrona já no interior do avião, olhou para dentro da mala para tirar uma caneta, e para sua surpresa, o pacote de bolachas estava lá... ainda intacto, fechadinho!!!


Ela sentiu tanta vergonha!... Só então se apercebeu que a errada era ela, sempre tão distraída! Tinha-se esquecido que as suas bolachas estavam guardadas, dentro da mala....
O homem tinha dividido as bolachas dele sem se sentir indignado, nervoso ou revoltado, enquanto ela tinha ficado transtornadíssima, pensando estar a dividir as dela com ele.

E já não havia mais tempo para se explicar... nem para pedir desculpas!


Quantas vezes, na nossa vida, somos nós que estamos a comer as
bolachas dos outros, e não temos a consciência disto? Antes de concluir, observa melhor! Talvez as coisas não sejam

exactamente como pensas!


Não penses o que não sabes sobre as pessoas.


"Existem quatro coisas na vida que não se recuperam:

* a pedra, depois de atirada;

* a palavra, depois de proferida;

* a ocasião, depois de perdida;

* e o tempo, depois de passado."


Pensa nisto...

 

 

 

 

O Convite

 

            O Senhor de um castelo deu uma grande festa, para a qual convidou todos os habitantes da aldeia. Mas as pipas do nobre, embora fossem muitas, não chegariam para satisfazer a previsível e grande sede da multidão de convidados.

            O Senhor pediu então um favor a todos os habitantes da aldeia:

            - Meteremos ao centro da praça onde terá lugar o banquete uma imensa pipa. Cada qual trará o vinho que puder, que deitará na pipa. Será cheia com colaboração de todos e haverá vinho para toda a gente.

            Um homem da aldeia, antes de partir para o castelo, procurou um bilha e encheu-a de água, pensando: «Um pouco de água na pipa, ninguém dará por ela!»

            Ao chegar o dia da festa, deitou o conteúdo da sua bilha na pipa comum e sentou-se à mesa.

            Quando os primeiros serventes foram para tirar o vinho, da torneira saía apenas água.

            Todos tinham pensado da mesma maneira.

 

Comentário:

 

            Os habitantes, nada generosos, pensaram em dar a água em vez do vinho que lhes era pedido. E a festa ficou estragada, porque o vinho é sinal de alegria.

            Somos convidados a dar o nosso melhor para contribuir para a festa da humanidade, que é possível quando houver solidariedade, alegria de viver, paz.

            Qual a tua contribuição para tornar as pessoas mais felizes? Dás o teu melhor «vinho»?

 

“Ferreira, Pedrosa –EDUCAR CONTANDO: Edições Salesianas, ISBN 972-690-318-1”

 

 

 

O Fogo, a água e a honra

 

            O Fogo, a Água e a Honra um dia fizeram-se amigos e decidiram caminhar juntos pelo mundo fora.

            O Fogo não pode jamais estar quieto num único lugar e também a Água se move sem descanso. Quanto à Honra, que era um companheira muito especial, convenceram-na a fazer-lhes companhia.

            Mas antes de se porem a caminho, combinaram um sinal de reconhecimento para se poderem encontrar de novo, no caso de algum dos três se perder.

            Disse o Fogo:

            - Se por acaso acontecer que eu me separe de vós, onde virdes fumo aí certamente me encontrareis. Será esse o meu sinal.

            Disse a Água:

            - Quanto a mim, se me perderem de vista, não me procureis onde virdes secura e terra rachada. Estarei onde houver regatos e muita vegetação.

            A Honra disse:

            - Quanto a mim, abri bem os olhos e procurai não me perder de vista. É que, se por infelicidade me perderdes, mesmo que seja um só vez, jamais me podereis voltar a encontrar

 

                                                                                                (Gaspar Gozzi)

Comentário:

 

            A honra tinha razão. Quando alguém a perde nunca mais a encontra. Se alguém adquire a fama de ser desonesto, fica marcado para toda a vida.

            A honradez exercita-se em todos os lugares onde vivemos e trabalhamos, e em todos os momentos da nossa vida. A honradez é algo de muito valioso.

            As pessoas terão tido alguma vez motivos para dizer que não és uma pessoa honrada?

 

 

 

A nova casa

 

            Um construtor civil trabalhava há muitos anos por conta de uma grade empresa.

            Um dia, recebeu ordens para construir uma bela morada segundo um seu projecto ao seu gosto. Podia construí-la no lugar onde lhe apetecesse e sem olhar a despesas.

            Os trabalhos começaram rapidamente. Mas, aproveitando desta grande confiança que lhe foi dada, o construtor pensou em utilizar materiais falsificados, de contratar operários pouco competentes cujo ordenado seria menor, metendo assim ao bolso umas boas centenas de euros.

            Quando a vivenda ficou terminada, o construtor entregou a chave ao dono da empresa.

            O dono restitui-lha e, dando-lhe um aperto de mão disse:

            - Esta casa é a nossa oferta para si, como sinal de estima e de reconhecimento.

 

Comentário:

 

            O conto apresenta um caso de corrupção que terá deixado o construtor de boca aberta. Mas há casos reais nos jornais que fazem a história de cada dia.

            A corrupção é uma realidade que vemos nos outros e certamente a condenamos. Mas cada pessoa deve olhar para si e verificar se é honesta na sua profissão.

            Se és estudante, podes dizer que cumpres o teu dever? Se és trabalhador, és honesto?

           

 

“Ferreira, Pedrosa –EDUCAR CONTANDO: Edições Salesianas, ISBN 972-690-318-1”

 

 

 

Quero Trabalhar

 

         Era um rapaz cheio de boa – vontade e sempre pronto para trabalhar.

           Quando morreu, foi para o céu e disse a S. Pedro:

-         Gostaria de fazer qualquer coisa e não ficar para aqui parado!

Respondeu S. Pedro:

-         Muito bem! Toma esta lima e vai serrar o Monte Himalaia.

Ao fim de sete mil anos, o moço regressou ao Céu. Disse ao guardião do Céu:

- Pronto, já terminei! Não me poderia arranjar outro trabalhinho?

S. Pedro, já um pouco enfadado, ordenou-lhe:

- Muito bem! Pega agora nesta colher de sopa e vai esvaziar o Oceano Pacífico.

O rapaz voltou mil anos depois. Disse com satisfação:

- Já acabei! Não há mais nada para fazer?

Disse-lhe S. Pedro:

- Olha! Se queres mesmo trabalhar, volta para o planeta Terra e diz às pessoas que se amem todas umas às outras.

Consta que até hoje o moço ainda não regressou ao Céu...

 

“Ferreira, Pedrosa – EDUCAR CONTANDO: Edições Salesianas, ISBN 972-690-318-1”

 

 

 

A Paz...

 

A paz está no ódio que não deixaste nascer,

na vingança que não serviste,

na discórdia que esqueceste,

na discussão que não deixaste crescer...

 

A paz...

A paz está no Laço que fortificaste,

na luta que não travaste,

na prisão de orgulho de que te libertaste,

no amor que encontraste...

 

A paz...

A paz está no coração de quem ama,

no perdão que venceu a vingança.

No sonho que quiseste pintar na tela da vida

no Sol que não quisestes roubar ao olhar dos outros...

 

A paz está na mágoa que aprisionaste,

na fúria que acorrentaste,

no elogio que soltaste,

na mão que estendeste...

 

A paz...

A paz está naquele abraço quando tu perdeste

naquele sorriso a quem se esqueceu de te servir...

 

A paz está no nós...

 

 

 

O dinheiro

 

Quantas vezes temos lembrado aos noivos e casais que o dinheiro não é a condição fundamental da felicidade o seu lar. Mas quantos ignoram ou esquecem esta realidade e antes de qualquer preparação psicológica e moral para o casamento, preocupam-se sobretudo com coisas supérfluas e com ganhar e ter muito dinheiro.

Havia um sapateiro pobre que trabalhava à porta de casa, enquanto cantarolava feliz na sua vida humilde. Tinha cinco filhos que andavam mal vestidos e mal alimentados.

Em frente à sua casita morava um homem rico, que compadecido daquela vida tão pobre, enviou ao sapateiro uma grande quantia de dinheiro.

O sapateiro ficou muito surpreendido . À noite esteve a contar o dinheiro com a mulher,
- Que vamos fazer com este dinheiro? - perguntou à esposa..

- Enterra-se no quintal.

- Mas podemos perder o sítio. É melhor metê-lo na arca.

- Mas podem roubá-lo. É melhor pô-lo a render. - disse a mulher.

- Então vamos fazer obras em casa. Vamos aumentá-la para cima e vou fazer uma oficina pintadinha.

- Isso não interessa! - atalhou a mulher. É melhor comprarmos um campo, pois sou filha de lavradores e tenho inclinação para trabalhar na terra.

- Nessa não caio eu! - berrou o sapateiro.

Foram-se azedando. Berrava ela, gritava ele. E naquela noite não conseguiram dormir.

O vizinho ricaço observou tudo aquilo, mas não conseguia compreender aquela mudança.

O sapateiro, cansado e triste, disse à mulher: - O dinheiro roubou-nos a nossa alegria. O melhor é levá-lo outra vez ao vizinho e que nos deixe na nossa pobreza que nos faz amigos uns dos outros.

Agarrou a saca com o dinheiro e levou-o ao vizinho. E voltou para a sua oficina humilde a trabalhar e a cantarolar como costumava.

Tinha experimentado que o dinheiro, por mais que seja, não compra a felicidade de viver sossegadamente para a família, para os amigos, para os clientes, para toda a gente.

 

 

 

A Dívida

 

            Um homem imensamente rico tinha muitos devedores.

            Quando chegou à velhice, chamou alguns dos que lhe deviam mais dinheiro e disse:

            - Se não me restituíres hoje o que me deveis, mas jurardes solenemente que pagareis as vossas dívidas na vossa vida futura, destruirei todos os vossos débitos.

            O primeiro devedor devia-lhe uma pequena quantia. Jurou que na vida futura aceitaria ser seu cavalo e o levaria para onde ele quisesse.

            O velho aceitou a oferta e destruiu os seus débitos.

            O segundo devedor devia uma grande quantia e prometeu:

            - Estou pronto a tornar-me na outra vida o teu boi. Puxarei o arado para lavrar os campos e os teus carros de feno e assim pagarei toda a minha dívida.

            O velho aceitou e queimou também os documentos referentes à sua dívida.

            Finalmente, chegou o homem que tinha a maior dívida. Disse:

            - Para pagar tudo o que te devo, na vida futura serei o teu pai.

            O velho ficou furioso, pegou num pau e estava para bater no irreverente devedor. Mas este segurou-o e disse:

            - Antes de me bateres, deixa que te explique. A minha dívida é enorme, não certamente pagá-la tornando-me apenas o teu boi ou o teu cavalo. Mas estou pronto a ser o teu pai. Assim trabalharei dia e noite para ti, proteger-te-ei quando fores pequenino e velarei por ti até quando tiveres crescido. Enfrentarei qualquer sacrifício, arriscarei a minha vida para que nada te falte. E quando morrer deixar-te-ei todas as riquezas que tiver acumulado. Não é mais do que ser boi ou cavalo? Não é uma boa proposta para pagar o meu débito?

 

Comentário:

            - O conto não diz qual a resposta do senhor, mas certamente percebeu que ser pai é algo de muito exigente. Certamente que também lhe perdoou a dívida.

            - O pai é aquele que tem filhos e os ama tanto que gasta a vida por eles. No trabalho e no descanso, pensa sempre neles. Deus gosta que o chamem pai.

            - Será que somos todos sensíveis à dedicação que têm para connosco os nossos pais? E também ao amor das nossas mães?

 

“Ferreira, Pedrosa – EDUCAR CONTANDO: Edições Salesianas, ISBN 972-690-318-1”

 

 

 

 

O Supermercado do Céu

 

            Há muito tempo andava eu pela estrada da vida. Um dia, vi um letreiro que anunciava: Supermercado do Céu. Aproximei-me. Ao chegar perto, uma porta abriu-se. Quase sem dar por isso, encontrava-me lá dentro. Vi um exército de anjos por toda a parte. Um entregou-me um cesto e disse-me:

            - Filho, faz bem as tuas compras! E, se não poderes levar tudo hoje, volta noutro dia.

Tudo o que um cristão precisava, estava ali. Não perdi tempo e comecei a circular pelo supermercado.

Primeiro comprei PACIÊNCIA e CARIDADE, que estavam na mesma secção. Mais à frente, havia COMPREENSÃO. Peguei num pacote. Depois voltei a trás e peguei em mais alguns, porque estamos sempre a precisar dela.

Comprei, ainda, uma caixa de SABEDORIA e três de FÉ.

De repente vi uma luz que descia do alto das prateleiras. Detive-me a contemplá-la. Era o ESPÍRITO SANTO. Ele enchia tudo.

A SALVAÇÃO era grátis e acabei por levar bastante.

Com o cesto quase cheio, dirigi-me à Caixa para pagar a conta; tinha o necessário para fazer a vontade de Deus. Enquanto passava pelos corredores, via ORAÇÃO, coloquei-a no cesto, pois sabia que lá fora iria encontrar o pecado.

No caminho que levava à Caixa, havia recipientes com CANTOS e LOUVORES. Levei alguns de cada.

Quando chegou a minha vez na Caixa, um Anjo passou todas as mercadorias. Feitas as somas perguntei:

            - Quanto devo?

O Anjo olhou para mim e sorriu. Disse-me que levasse tudo aquilo por onde quer que fosse. E acrescentou:

            - Filho, Jesus pagou a tua conta há muito tempo, no Monte Calvário. Procura fazer bom uso das tuas compras Vai em paz e volta sempre.

 

 

 

Tens tempo?

 

Olá, acordaste bem esta manhã? Eu vi-te e  esperei, pensando que falarias comigo, mesmo que fossem apenas umas poucas palavras, talvez a querer saber minha opinião sobre alguma coisa ou quem sabe a agradecer-me por algo bom que te aconteceu  ontem.

Mas notei que estavas muito ocupado, a tentar encontrar  uma   roupa para ir para o trabalho. Então, eu esperei outra  vez.

            Enquanto tu corrias pela casa, de um lado para o outro já pronto, eu sabia, eu estava lá, seriam certamente poucos minutos para tu parares e dizeres olá.

            Mas não, tu não paraste, estavas  realmente muito ocupado.

            Mas, de repente viste que tinhas que esperar  15 minutos e gastaste esse tempo apenas sentado em uma cadeira, sem fazer nada.

            Estavas apenas sentado. Então mexeste-te, rapidamente, olhaste para os teus pés que se movimentavam, e eu pensei que  querias falar comigo.

Mas não, correste para o telefone e  ligaste a um amigo para lhe contar as últimas novidades. Então foste  para o trabalho, e eu esperei, pacientemente, o dia inteiro com todas  as suas actividades.

Eu achei que estavas realmente ocupado e  não tinhas tempo para conversar comigo. Eu notei que,  antes do almoço, olhaste ao teu redor, talvez tenhas ficado sem jeito  ou com vergonha de falar comigo.

            Porque não inclinaste a tua cabeça? No  entanto observaste as mesas e apercebeste-te que alguns amigos ou  conhecidos teus estavam a falar comigo, brevemente, antes de iniciarem  a sua refeição.

Mas tu não falaste comigo. Tudo Bem! Ainda  há tempo hoje e eu tenho esperança que ainda irás falar comigo.

            Foste  para casa e parecia que tinhas muitas e muitas coisas para fazer  ainda.

Depois de ter terminado algumas delas, ligaste a  televisão.

Eu sei que tu gostas de ver televisão mas, o facto de estares a fazer, fez-te gastar muito do teu tempo, quase todo, quase todo o teu tempo em frente da TV, não pensando em nada mais, apenas vendo o programa.

E eu esperei, pacientemente outra vez, enquanto tu vias TV e fazias a tua refeição, e  mais uma vez não falaste comigo!

            Hora de ir para a cama, hora de dormir.... Eu acho que tu estás muito cansado. Dizes boa noite à tua família, pulas para a cama, cais imediatamente no sono.

            Tudo bem, OK, porque talvez não saibas que eu sempre estou lá contigo, sempre do  seu lado. Eu tenho muita paciência, muito mais do que tu imaginas. Fui  eu mesmo que te ensinei como ser paciente com as outras pessoas e como  ser bom. Eu amo-te muito, que eu espero todos os dias, espero por um  sinal teu, um simples inclinar de cabeça, uma oração, um pensamento ou um agradecimento por parte do teu coração.

            Sabes, é muito  difícil conversar, quando só existe um a conversar.

Bom, tu vais-te  levantar outra vez para um novo dia, e mais uma vez, e mais uma vez, e  mais outra vez, e serão muitas vezes ainda que eu estarei já talvez  esperando por nada, mas com muito amor para ti, esperando que hoje seja  o dia em que tu me possas dar alguma atenção, um pouco do teu tempo.

TEM UM BOM DIA!

O TEU PAI,

DEUS.

 

 

 

O pequeno parafuso

 

         No casco de um grande navio havia um pequeno parafuso, minúsculo e insignificante, que juntamente com outros, também pequenos e insignificantes como ele, ligava duas vigas de aço.

         Durante uma viagem no meio do oceano Índico o pequeno parafuso decidiu que era tempo de acabar com essa sua existência obscura e mal paga. Passados tantos anos nunca ninguém lhe tinha dito «obrigado» pelo que fazia. Disse então para consigo:

         - vou-me embora! Está decidido!

         Os outros parafusos disseram:

         - se tu vais, também nós iremos!

         De facto, logo que o parafuso começou a mexer-se no seu buraco, também os outros começaram a movimentar-se.

E cada vez mais.

         Os pregos que seguravam as tábuas do navio protestaram:

         - assim também nós somos obrigados a deixar o nosso lugar…

         as vigas de aço gritaram:

         - por amor de Deus, parai! Se ninguém nos segura, é uma tragédia!

         A intenção do pequeno parafuso de deixar o seu lugar propagou-se de repente por todo o imenso casco do navio.

         Toda a estrutura, que antes enfrentava as ondas com tanta firmeza, começou a vacilar penosamente e a tremer.

         Foi então que todas as vigas, as ferragens, as tábuas e os parafusos e até os pequenos pregos decidiram mandar uma mensagem ao parafuso para que renunciasse ao seu propósito.

         Disseram-lhe:

         - o barco afundar-se-á e nenhum de nós voltará a ver a sua pátria.

         O pequeno parafuso sentiu-se orgulhoso com estas palavras e descobriu imediatamente que era muito mais importante do que pensava. Então mandou dizer a todos que permaneceria no seu lugar.

 

Comentário:

- o pequeno parafuso, embora ignorado por todos, contribui à sua maneira para que o navio possa navegar. Acabou por sentir-se importante na sua pequenez.

 - Cada pessoa é diferente e tem uma missão única a realizar neste mundo ao longo dos seus dias. Desde o varredor da rua ao cientista, todos somos importantes.

 - Tens consciência de que tens uma missão a cumprir neste mundo? Já descobriste qual é?

 

“Ferreira, Pedrosa – EDUCAR CONTANDO: Edições Salesianas, ISBN 972-690-318-1”

 

 

 

É Suficiente

 

            Naquela região havia uma tremenda seca como nunca se tinha visto. A erva tinha secado. As árvores mais frágeis já estavam todas mortas. Nem sequer uma gota de água chovia do céu.

            Os animais estavam a morrer aos milhares. Poucos tinham força para fugir desta aridez desértica.

            A secura era cada dia maior. Até as fortes e velhas árvores, que afundavam as suas raízes na profundidade da terra, perdiam as suas folhas. Todas as fontes e nascentes tinham secado. Rios e ribeiros não tinham uma gota de água.

            Apenas uma pequena flor permaneceu com vida, porque uma pequeníssima nascente lhe dava ainda um par de gotas de água.

            Mas a nascente estava a ficar desesperada:

            - Tudo é aridez e morte. E eu nada posso fazer. Que sentido têm as minhas gotas de água?

            Ali próximo estava uma velha e robusta árvore. Ouviu a lamentação e, antes de morrer, disse à nascente:

            - Ninguém espera de ti que faças com que o deserto reverdeça. A tua missão é a de manteres com vida essa pequena flor. Nada mais.

 

Comentário: 

            A nascente lamentava-se daquilo que não podia fazer. É o que fazem algumas pessoas que gostariam de fazer grande coisas. Mas essas lamentações são tempo perdido.

            De facto, cada qual, ante os problemas do mundo, é convidado a fazer o que lhe é possível e nada mais. Nem que a sua obra seja apenas «uma gota de água no oceano».

            Dás importância aos pequenos gestos de amor, de ternura, de carinho?

  

“Ferreira, Pedrosa – EDUCAR CONTANDO: Edições Salesianas, ISBN 972-690-318-1”